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terça-feira, 24 de maio de 2011

Espanha, Espanha, Espanha!

Este é o lema que deve estar presente na cabeça dos portugueses no próximo dia 5 de Junho. Aqui ao nosso lado, do outro lado da nossa fronteira, os cidadãos eleitores não tiveram nem dúvidas nem contemplações para com o poder e o Governo socialista de Zapatero. Cansaram-se de tanta falta de correspondência entre aquilo que desejavam e o que lhes foi sendo dado. Faltaram milhões de empregos, milhões de cidadãos estão assim sem trabalho, a boa e crescente economia de outros anos desapareceu, e com ela foi-se deteriorando a esperança de melhoria de vida individual e familiar de milhões de espanhóis. De nada valem agora os tão apregoados avanços do progressismo fabuloso e do socialismo vertiginoso de Zapatero. Um país conquista-se com verdade e rigor, com bases sustentadas na sua economia, com equilíbrio político e estrutural, com sensatez e responsabilidade inequívoca perante os desafios de um Mundo globalizado que exige pensamento estratégico e visão de futuro largo aos líderes políticos. E que se não compadece com agendas radicalizadas de cariz ideológico que são pagas com perdas inequívocas de coesão interterritorial e com desestruturação de um Estado nacional. Em Espanha os socialistas pagaram pesadamente a sua ineficácia política e económica e as suas enormes tendências de reengenharia cultural, social, política e económica. Em Espanha os eleitores não duvidaram do que tinham de fazer e castigaram duramente nas urnas o socialismo falhado de Zapatero. Esta é uma boa lição para todos nós portugueses. Pode e deve servir de exemplo do que se impõe fazer nas nossas eleições. Também aqui o socialismo irrealista e ilusório de Sócrates fracassou redonda e tragicamente. No próximo dia 5 de Junho não pode haver dúvidas de que os socialistas portugueses, que se continuam a considerar como irresponsáveis e inimputáveis pelos seis anos da sua governação ininterrupta e conduziram o país e a Nação mais antiga da Europa à falência do seu Estado, têm de ter o mesmo castigo eleitoral que em Espanha foi dado ao socialismo de Zapatero. No próximo dia 5 de Junho ter-se-á de fazer ouvir nas urnas eleitorais o mesmo pregão democrático: Portugal, Portugal, Portugal! (como ontem se ouviu do outro lado: Espanha, Espanha, Espanha!). E outro futuro se levantará…!


José Pinto Correia, Economista

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O Inimputável Máximo

Anda por aí o inimputável máximo. Ciranda de cerimónia em cerimónia, de obra em obra, do alto da sua postura, ou melhor impostura, de vozeio em riste, gesticula, meneia-se, agita-se, ao mesmo tempo que acusa tudo em seu redor. Tratou de presentear os portugueses com um caderno de orações requentadas para ir ao acto eleitoral de Junho sem fazer o balanço da sua imoral conduta consular. E como não teve nada de mais para apresentar do que aquelas vacuidades vai de zurzir na praça de cada burgo por onde passa que quer ouvir as propostas dos outros rapidamente. Pensa, portanto, naquela sua habitual alucinação imoral que os que querem ser responsáveis governantes nesta situação de tragédia que ele ditou podem ter comportamentos tão insanos como os seus. O crime tremendo e gigantesco que este ilusionista e incompetente líder governamental foi cometendo contra os portugueses nestes anos desvairados não pode ficar esquecido e ainda recompensar esta mesma criatura! E é este mesmo inimputável máximo, que vai a uma cerimónia pública inaugurar uma escola de Portugal em carro oficial, com despesas pagas pelos contribuintes, e nessa mesma ocasião, como primeiro governante, acusa os partidos da oposição do que lhe apetece. Isto é a imoralidade da mais medíocre. Faz isso ao mesmo tempo, nas mesmas horas, em que gasta o dinheiro de todos para fazer política do seu partido, da sua clique, do seu falido consulado. Falta decoro e o mínimo de vergonha a este "Senhor de Matosinhos"! Estas confusões entre o Estado, o governo e o partido são impróprias de uma democracia, de um País europeu com responsáveis políticos que separam o que é público daquilo que é específico de um partido. Portugal não é o quintal ou o bazar de um propagandista iluminado que entende que é dono de tudo e de todos. Portugal não é o quintal do Largo do Rato nem de um qualquer apalaçado condomínio da Rua Castilho!


José Pinto Correia, Economista

quinta-feira, 14 de abril de 2011

“O Circo da Agonia”

I


Pessoa dizia do Senhor de Santa Comba que nos tinha caído em sorte, ou em cima, que era o Sal e o Azar. Hoje caiu-nos o pior que seria de imaginar. Não temos apenas o Sal e o Azar, temos o Mal e o São. O Malsão. Doentiamente obcecado, perverso, perigoso, tabelião da desgraça. Criminosamente colado à cadeira, nem dela cai como o outro. Desgraçadamente. Desgraçada mente. Mente, mente...


II


"Por conseguinte, um senhor prudente não pode, nem deve, honrar a palavra dada se isso se voltar contra ele e se os motivos que o levaram a fazer promessas deixaram de existir" (Maquiavel, "O Príncipe"). Sócrates, Pinto de Sousa, está a cumprir neste preciso momento em Matosinhos esta receita maquiavélica. Honra, prudência, palavra? Como?



III


"Este Governo, no fim da legislatura, deixar-nos-á um Portugal mais empobrecido, mais desigual, menos apto para enfrentar os problemas que permanecem, desmobilizado e descrente, saqueado e farto deste concreto sistema político-partidário que até aqui nos conduziu" (Medina Carreira, "Portugal que Futuro?", página 146, 2009).



IV


Medina Carreira dizia no fim da legislatura em 2009. Já passaram mais quase dois anos. E temos o resgate à porta. E o mesmo chefe em palco sem assumir nada disto. E o PS a aplaudi-lo. Em que é que se transformou o Partido? Nem consigo nomear!


Tenho estado a ouvir as palavras ditas lá para Matosinhos. O PS vai ganhar os votos da nossa gente, dizem. O Dr. Vitorino, iminência fabulosa, diz para o Zé: “Vamos a eles! Temos o direito eterno da coisa". Essa “coisa nossa” que é Portugal, digo eu. Magnificamente Vitorino! Salazar não foi melhor! E deixou o ouro nas caves do Banco...



V


Manuel Alegre: "o capitalismo de casino foi a nossa perdição". Grande frase do homem da caça e da pesca. Que vem de volta à tona. Quero ver a excelsa figura a falar quando o homem do seu magistério, o enorme Pinto de Sousa, tiver de andar a privatizar as pérolas do regime e a cortar a sério nos donos da bola. Aí vai ser o quê? Socialismo de casino?



VI


Nos dois meses que aí vêm vamos exigir ao grande engenheiro que defina o tal "Socialismo de Casino". Com a contraparte do FEEF/FMI? Vai ser uma empreitada em peras. Privatizações para socializar os prejuízos? Reformas do mercado de trabalho para garantir direitos constitucionais? Reconfiguração do SNS, com pagamentos diferenciados, para salvar a gratuitidade do serviço? Escola pública universal e com quê mais?



VII


Portugal está como a bela Torre de Pisa. Alguém tem de segurar para que tudo não vá abaixo. Neste caso, com o resgate, terão de ser as próximas gerações a tratar da doença grave que foi criada. Alguém que pegue na bicicleta e que pedale esta empreitada. Só assim será possível, só assim terá razão!



VIII


David. De Miguel Ângelo. Depois de vencer a sua besta, o Golias, o personagem exprime uma serenidade superlativa. Que lhe vem da inteligência, da prudência e da verdade da sua luta. Uma metáfora de Portugal em 2011? Sim. E que o David desta imagem sejamos nós. Os portugueses da Nação e da Pátria de Camões, de Pessoa e de Vieira. Capazes de dar sentido às lutas de Afonso Henriques, do Santo Condestável e dos nossos egrégios avós. Levantai hoje de novo!



IX


59.695.200.000 Euros! Cinquenta e nove mil e seiscentos e noventa e cinco milhões de euros. O custo estimado das PPP. Que foram assinadas pelos homens da Rosa. Com parceiros. Muitos. Quem pagará? Os portugueses que, segundo a narrativa criminosa, tinham direito a tudo o que tinha faltado na ditadura anterior a 1974. Agora fica a ditadura da dívida colossal. Ditadores!!!


Ditadura imposta até 2050! A anterior estimativa apontava para 50 mil milhões. Aumentou em dez mil milhões, portanto, para a de agora. Mais uns pontos percentuais de PIB. Para quem e quê? Negócios de casino. Socialismo de casino! O que o poeta Alegre deveria estar hoje a condenar. Mas que lhe passou ao lado, pois estava a olhar para os pombos bravos, como sempre!



X


Nem o Banco de Portugal quer fazer as contas destes anos de "Socialismo de Casino". Ninguém quer revelar o tamanho da tragédia. Que se vai perpetuar pelas próximas décadas. Ditadura já temos garantida. E de esquerda. Que é a da bancarrota. Nem o ouro se pode vender agora!



XI


Ainda me lembro, com angústia pelas tristes realidades de agora, que nos criaram os homens da Rosa, da expressão da Dra. Ferreira Leite, em 2009, de que talvez fosse necessário suspender episodicamente a democracia. Quantos lhe caíram em cima e a trucidaram então? Os mesmos que nos deram esta ditadura imensa de muitos anos. Grandes amigos do povo estes homens do "Socialismo de Casino"!





XII


Há ainda hoje um antigo Pelourinho no centro da aldeia onde viveu e vive parte da minha família. Onde vivem ainda hoje os meus progenitores. Que trabalharam duramente toda a sua vida lá e em Lisboa. Muitos dos actuais políticos que torraram a nossa democracia podiam ir destinados ao dito "Pelouro". Ali estiveram em séculos pretéritos os que fizeram desmandos bem menores. A aldeia do Coito, Couto no tempo do Senhor de Santa Comba, tem a dignidade intacta para receber esses figurões. Justamente!



XIII


Há algumas semanas tomou posse o Presidente da República, eleito por sufrágio universal e directo. Falou grave, muito assertivamente, e disse que ia prosseguir uma magistratura activa. Agora perante a pior situação de que temos memória recua para longe do palco. Foge de quê? De Portugal! Estive certo, não lhe dei o meu voto...


Cavaco foge da cena. Mas diz de fora que a nossa melhor notícia para os mercados é a de que o nosso próximo governo deve ter maioria no parlamento. Grande avanço. E o programa de resgate? Nada a dizer e a fazer por parte de "Sua Alteza Presidencial"? Melhor faz a Rainha de Inglaterra? Talvez...



XIV


Este País não é para cidadãos. É apenas para estas iminências majestáticas. Há dias veio o Silva Pereira à antena. “Silva Pereirou” como sempre. Quer dialogar como sempre fez. O PS ficou sozinho na luta pela estabilidade política. E nós como é que ficámos? Com eles às costas no meio de um violentíssimo incêndio. Mas são indispensáveis, disse Alegre. Boa, boa...!



XV


O PS já tem mão de ferro. Ferro voltou. Vai para a cabeça da capital. Vamos ainda construir o "socialismo novo". E um Estado também. Muito social e tudo. Com o FMI. Vai ser um tango radical. E a metáfora do Dr. Vitorino: a da cadeirada na touca! Eu já estou ensanguentado e com ela a dar voltas. Mas o Zé vai em frente, diz o Costa. São os maiores e os melhores!



XVI


"Todo o Estado é, como sabemos, uma sociedade, tendo como seu princípio a esperança dum bem, como sucede com qualquer associação, pois que todas as acções dos homens têm por finalidade o que eles consideram um bem" (Aristóteles, "Tratado da Política", primeiro parágrafo).



XVII


Mentira: acto de mentir, afirmação contrária à verdade, com a intenção de enganar; engano propositado; falsidade, peta; ilusão; embuste; erro; vaidade. Mentireiro: mentiroso; pessoa que diz mentiras sem importância. Mentiroso: que ou aquele que diz mentiras; impostor; falso; aparente.


XVIII


Mentor da Mentira: o Senhor de Matosinhos! Mentor Melquetrefe da Tragédia: o engenheiro! O das sete vidas que nos matou as nossas esperanças e ainda não caiu da cadeira.


Mendicância: acto de mendigar; condição de quem vive de esmolas; mendicidade. Ordem dos mendicantes: "As Rosas de Matosinhos". Refúgio dos artistas: A Casa da Tragicomédia de Matosinhos. Pão e água para os cidadãos da Roma incendiada. Cena capital: o negócio do engenheiro com os donos da massa. Segue dentro de momentos. Com os incendiários no palco. Zé e Santinhos! Chapitô para que te quero?



XIX


Memória: função geral de conservação de experiência anterior, que se manifesta por hábitos ou por lembranças; tomada de consciência do passado como tal; lembrança; recordação; exposição sumária. Exemplos históricos: memória do nazismo, memória da ditadura salazarista, memória do Verão quente, memória da grande guerra, memorial do convento, memória da mentirocracia. Esta é a memória recente, que condicionou o nosso futuro nacional, a de agora, a da chegada do FEEF/FMI, numa historiografia que foi sendo sucessivamente cantada como o "Advento da Salvação" pelo seu mentor durante todos estes anos. Maioral da Tragicomédia de 2011: Pinto de Sousa! Vítimas desta guerra: os portugueses. Vitorioso: “o engenheiro Nero/Caracala”. Culpados: os cristãos...!



XX


O leninismo tem novas fronteiras. A coreografia dos regimes ditatoriais, em que os discursos estavam todos previamente definidos e orientados, onde o espaço cénico era objecto de delimitação centralista, e de onde emergia no final uma onda gigantesca de entronização do líder supremo, tudo isto está agora aqui fora do PCP. Chavez fez escola. Vem aí agora "O Grande Salto". E a revolução cultural!



XXI


A Revolução Cultural começa a ser negociada já nos próximos dias. "O Grande Líder" já anunciou que vai ser o condutor. Vai ser uma orgia de negociação. De um lado, a sabedoria incomensurável e, do outro, os donos do cofre-forte. Vamos construir o socialismo real. O palco já está montado e as figuras são insignes. Vermelhinhos e cinzentos: a grande coligação! Funda, funda, fundamental!!!



XXII


O Zé e o FMI. Que grande casamento. Com direito a pacto pré-nupcial. Tratam os senhores das Finanças e do Banco de Portugal. Com os nubentes à espera. Lá em São Bento deve ser uma azáfama. Preparativos: copos, toalhas, talheres, pratos e terrinas, bandejas. Canapés, lagostas, caviar. Flores, muitas flores. E os papelinhos a serem todos reescritos. E um novo teleponto, obviamente!




XXIII


Fui recomeçar a ler 1984 de Orwell. No regime do "Grande Irmão" tudo começa em Abril. Tal como aqui agora. Mas há um Ministério enormíssimo: o "Ministério da Verdade ou Minivero". Da tal verdade da "Novilíngua", uma reescrita da linguagem autorizada e da ordem, que incluía uma Polícia do Pensamento. Na Novilíngua o pensar era crime e dizia-se "pensarcrime". E dava prisão...


No Ministério da Verdade, um edifício de trezentos metros de altura, estavam gravados os três slogans do "Partido do Grande Irmão". Eram: Guerra é Paz; Liberdade é Escravidão; Ignorância é Força. Em 1984. Na grande pátria do socialismo. E em 2011 como seria? Que grande Nó!!!



XXIV


Os homens do fraque já cá estão. Vão matar muitos dos nossos tabus de décadas. A agenda vai ser dura e não deixará lugar para os velhos remédios, ou para as habituais mezinhas caseiras. Liberalismo vem aí à séria. Para colocar o Estado no seu lugar e dimensão e para dar espaço maior para a economia privada. Para haver crescimento no futuro e empregos novos. E os salários?


Quanto aos salários, nos próximos anos vão ser geridos ao milímetro. O economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, que conhece muito bem Portugal, já há dois anos dizia que tínhamos de reconquistar competitividade salarial. E era pela redução real, para refazer o que tínhamos perdido por anos sucessivos de aumentos incomportáveis face à nossa fraca produtividade. A economia teve uma pane...


A economia durante uma década morreu. E agora não podemos ir pelo consumo. Por isso, têm de existir estímulos à poupança, redução de importações, investimentos muito selectivos e produtivos de bens exportáveis, simulação da desvalorização monetária (já foi dito como). E redução da despesa pública a sério para poder haver redução dos défices e das necessidades de nova dívida. E as PPP?


As PPP têm de ser todas renegociadas, no prazo máximo de um ano. Onde estão garantidas taxas de rentabilidade para os privados de 12 e mais por cento têm de pasar a estar taxas próximas dos custos do capital com uma pequena margem adicional de 1 a 2 por cento. Poupam-se centenas e centenas de milhões de impostos ao longo de mais de trinta anos. E de endividamento do Estado também.


Mas há uma exigência inultrapassável: uma auditoria total às dívidas públicas. Tem de voltar a fazer-se com o FMI, tal como em 1983, a consolidação de todo o perímetro do Estado. Têm de estar lá os hospitais, as PPP, as empresas públicas, as autarquias, os institutos e fundos autónomos. Tudo. Os portugueses têm o direito e o dever de conhecerem o nível de insanidade a que foram conduzidos...



XXV


Teixeira dos Santos confirmou hoje o que o PS de Sócrates tem escondido dos portugueses. O País já não tem capacidade para pagar 4.9 mil milhões de euros que se vencem em Junho. E precisa desesperadamente que os homens do FMI concluam o programa e as negociações ainda em Maio, sob pena de entrarmos em "falência" (vulgarmente denominado "default"). Esconderam até hoje!


XXVI


Vamos Defender Portugal do Engenheiro!


Como é que o engenheiro tem a indecorosa lata de ir ao Congresso do PS com o lema "Defender Portugal". Defender só se for dele mesmo. Que nos levou para dentro do Fundo. Sem dinheiro em Junho, como hoje já com os homens do fraque no Ministério nos veio dizer o desavergonhado Ministro Teixeira dos Santos. O que andaram no PS a encenar é criminoso, tendo conhecimento do que realmente se estava a passar com a falta de financiamento para Junho. Acusaram a oposição, quando conduziram o País para a proximidade da ruptura de pagamentos internacionais. Esta encenação é doentia e até quase macabra, e o seu protagonista, que se deixou aclamar há dois dias como um ditador de uma qualquer "República de Bananas", devia ser acusado por interposição de queixa de cidadania! E os portugueses, tão ignominiosamente enganados e conduzidos a uma situação de obscena irresponsabilidade política, deveriam ter a possibilidade de levar a julgamento esta "engenharia insana".



José Pinto Correia, Economista

quinta-feira, 17 de março de 2011

“Do Livro da Face”: “A Crónica dos Últimos Dias”!

I

Luís XIV: O "Rei-Sol". "O Estado sou eu". Murmúrios de outros sítios ou tristes realidades, trágicas encenações, manipulações obscenas, do nosso Portugal de hoje? E a democracia o que será feito dela? Se o País e a Nação se vergarem ao corrompido poder de um malfadado engenheiro...?

II

‎"Sob Luís XIV a França conheceu a maior centralização governamental que se pode conceber, visto que o mesmo homem estabelecia as leis gerais e tinha o poder de as interpretar, representava a França no exterior e agia em nome dela" (Alexis de Tocqueville, "A Democracia na América", Livro I, 1835).

III

Mário Soares veio hoje a terreiro. Disse verdades incómodas e exigíveis a um verdadeiro democrata e ex-Presidente. Colocou uma pedra enorme no sapato do pretenso iluminado. Que faz tudo como lhe dá nas ganas e no "diabo a cetra". A nossa liberdade vai ter de passar pelo interior do PS. Ou mexe, e muito, e abana/sacode o "Action Man", ou vamos ter de o derrotar eleitoralmente.

IV

Não, não podemos nem queremos suspender a democracia. As soluções não são únicas nem podem ser impostas sem diálogo. A democracia é diálogo. Não há monopólio da verdade. Sobretudo de quem nunca mostrou querer conviver saudavelmente com ela. Democracia tem regras, e parceiros e instituições. A ditadura de iluminados era antes de 1976. Respeito. Respeito democrático em 2011...!

V

‎"Oh! nom praza Barrabás!
Se Garcia Moniz diz
que os que morrem como eu fiz
são livres de Satanás... (Enforcado, Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente).

VI

Ah! Estado Social, Estado Social, Estado Social! "Glória Mundo". Eterno, inexpugnável, exemplaríssimo. Contra tudo e contra todos. Contra os que são contra ou não. Todos, todos. Uma bandeira do "Nome da Rosa"! Pinto de Sousa, melhor dito. Megafones em punho. Avante, avante. "Defender Portugal"!

VII

Grandezas do Principezinho: O Golfe de Estado! Um joguinho sereno, manso, rebuscado, limpinho, verdinho, abandeirado, “celestino”. O segredo para a nossa salvação. Uma ajudinha para os senhores do jogo. Do Estado Principesco. Engenharias. Económico-sociais. Bolinhas de Golfe (melhores do que as de Berlim?)...!

VIII

Teixeira, o "Ministro da Falta de Finanças", que já vendeu muitos dos anéis da "Cidadela" em 2009, berra agora contra os que o sustentaram no seu posto descomandado. Pois é, quando a face já não tem cura vai de tentar emporcalhar a dos outros. Cospe na mão que lhe foi estendida e que despedaçou. Tenha um pingo de educação Doutor Teixeira...!

IX

Teixeira dos Santos é o advogado do diabo. Corrompeu a sua alma e entregou-a há muito ao dito. Por isso, nestes dias da tempestade que sempre negara, o Doutor Teixeira lembra o Ministro da Propaganda de Sadam Hussein quando cantava vitória com os tanques americanos nas costas.

X

‎"Entra cá, governarás
atá as portas do Inferno." (Diabo, Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente).

XI

Entendamo-nos: "Quem não tem uma mentalidade democrática nem probidade epistémica, tenta manipular a discussão - ou impedir que esta chegue a ocorrer. Mas o que se deve fazer é acolher a discussão e aceitar tranquilamente a decisão da maioria" (Desidério Murcho, "Filosofia em Directo", Janeiro de 2011).

XII

Morramos, pois
hoje, amanhã, depois.
Viveremos mais, de novo,
Quando nos for dada outramente.
Mentalmente sãos, então,
seremos nós vivos, sempre...! (Deste que se assina).

XIII

Democracia. Democracia. Democracia. Regras. Regras. Regras. Instituições. Representantes. Representados. Vontade Popular. Legitimidade. Credibilidade. “Confiabilidade”. Verdade. Verdade. Verdade. Respeito. Respeito. Respeito.

XIV

E continua: "Se nós formos incapazes de compreender que a governação deles seria melhor, ou se por qualquer razão a rejeitamos, eles não poderão ter qualquer boa razão para violar a nossa decisão - mas têm uma boa razão para nos explicar pacientemente como governar melhor" (Desidério Murcho, idem).

XV

"Seria sem dúvida razoável da nossa parte aceitar a sua governação; mas daqui não se conclui que eles tenham o direito de no-la impor. Há uma grande diferença entre ajuda consentida - que nem sequer implica paternalismo - e a imposição da ajuda" (Desidério Murcho, ibidem).

XVI

Moral da História ou História Amoral: "O Principezinho da Mentirolândia"

Era uma vez um pequeno príncipe com orelhas de burro. O jovem tinha faltado muito às boas lições da vida e da sua Escola. E não tinha aprendido a ser verdadeiro, a contar as suas más acções, a fazer os trabalhos de casa e as contas de somar e multiplicar. Só aprendeu as de subtrair. Mas era muito truculento. Não parava de atirar as culpas para os outros meninos quando falhava.

E era muito valente. Sobretudo como os mais pequenos e fracos. Que fazia, que acontecia, que edificava, que mandava, que mandava e mandava sem fim. Ah! O valentão adorava a sua imagem, o espelho em que ela se passava continuamente na “Mentirolândia”. E dava-se em esbelta figura às lentes ampliadoras da sua excelência. Foi assim durante muito, muito tempo, anos imensos. Até que um dia a maré do Rio Grande da sua cidade começou a deitar por fora...

O Rio Grande tinha começado a sair do leito. E transbordou até aos arrais do Palácio do Principezinho. Que continuava sem ver a luz do dia que amanhecera diverso. "Não, não, que era aquilo. Era só o que faltava". O Rio tinha de ser remetido aos seus azimutes de mansidão. Podia lá ser. A torrente fora de si. Logo do Rio Grande de que ele tão desveladamente tratava há anos...

Espelho meu, espelho meu, existe alguém tão bondoso quanto eu? Vou ter de recomunicar a minha dialéctica principesca, pensou o excelso. Não é que nem o Rio se conformava, nem os barqueiros queriam embarcar na nau em que é mister Sua Senhoria. "Não, não poderá ser". "Hão-de escutar vozes do além-mar e terra". "Vou amplificá-las, pois são minhas intimidades portentosas e valiosíssimas".

Ei-las que se deram a ouvir. Radiosas, dessas “Europas”. Estão connosco, avalizam Sua Senhoria? É o que o Principezinho vai fazer constar. Que tem a salvação das almas que apascentou. Que é um defensor de mouros, de celtas, de iberos, de visigodos e até de judeus. Ave, Ave, jubila de novo o grande génio dos Montes Hermínios...

Ah! Traição ou malditos! Corifeus, infiéis, bárbaros! Não reclamam a vitória eminentíssima de Sua Alteza. Querem sangue? Volúpia de poder, querem-no? Nunca o terão, pois. Guerra é guerra. Às trincheiras cavaleiros da excelsa figura. Trompetas, megafones, ondas hertzianas, tudo vale de novo. Às vinte, ao norte e ao sul, ao leste e ao oeste!

Já se ouve a canção real. "Às vinte esperarei por si, você não faltará!"

José Pinto Correia, Economista

quarta-feira, 16 de março de 2011

MiseravelMente: A Crise da Mente Perversa!

A crise política está instalada. A mente perversa que se embebedou de poder armadilhou-se a si-mesma e a Portugal. Pensou, mal, muitíssimo mal, que era dona dos portugueses. Que não tinha de dar contas aos órgãos da democracia nacional. Fez tudo ao arrepio das regras da democracia política do regime. Deixou de ter consciência dos valores que matriciam a vida democrática e constitucional. Emborcou-se de ilusão, separou-se da realidade a que devia obedecer. Em inefável perversidade e contrariando o nome do regime e a soberania que reside sempre na Nação. A sofreguidão do poder cegou a “senhoria”. Tornou-se um novo “Rei Sol”, imaginou-se único detentor de todos e do mais que fosse. Quis manter-se a todo o custo. Não avaliou os “pormaiores” das suas decisões solitárias, apressadas, na volúpia insaciável de se afirmar como todo-poderoso. Instalou a crise política que a partir de hoje é indisfarçável e parte da agenda nacional. O homem passou todos os limites. Nem sequer deu conta do que tinha feito. Este modo de fazer as coisas é típico de uma personalidade democraticamente dúbia. Sem capacidade de tomar conta prévia das consequências destes actos completamente inaceitáveis e despropositados. Que não são de um verdadeiro democrata e de um socialista que preza a democracia como regime político a salvaguardar em todas as circunstâncias. Mas não nos enganemos, não embarquemos nos equívocos e nas truculências que aparentam ser completamente despropositadas. Não, não, tudo aponta para uma estratégia bem armadilhada e suicidária da Nação. A luta de vida ou morte na busca da minimamente provável sobrevivência do “Principezinho da Mentirolândia” fê-lo jogar tudo e todos. Acossado dentro e fora da fronteira o “Infalível” lançou-se uma desesperada luta contra o tempo e os tempos. E atirou a democracia para um buraco sem fundo nem retorno. Por tudo isto, que é tudo e o seu pior, o homem, o engenheiro intocável e independentíssimo de tudo e todos, tem de ir-se embora. Depois desta manobra colossal e imperdoável não pode haver quaisquer contemplações. Manter esta personagem no poder, qualquer que ele fosse, era desprestigiar definitivamente o regime democrático e menosprezar o significado inerente que nele têm as suas instituições fundamentais. Desde o Presidente da República, à Assembleia da República e aos partidos políticos que expressam, tanto quanto possível, a vontade dos eleitores. Declarada esta guerra à democracia e a Portugal pelo responsável principal desta fracassada governação que trouxe Portugal ao precipício económico, financeiro e social, a Nação vai ter proximamente de colocar um fim ao poder apodrecido do "Socratismo" e ao seu pequeno e irresponsabilíssimo fautor, por consequência! Miserável mente que tão longe foi no seu despropósito de exercer o poder que lhe fora confiado eleitoralmente por parte da Nação Portuguesa.